À ti.
Estive eu sentada a admirar o sol poente.
Arredei a cadeira para perto da janela
Vi passar os automóveis e animais
Avistei ao longe a lua maciça a se aproximar.
As longínquas sensações rodearam-me.
Mas não o vi nesse instante.
Onde estiveste tu?
Eu aguardo, vivendo nossos sonhos
Enquanto as mudanças devoram-nos.
Eu continuo sentada na beira da janela
Viajando no silencio que é nosso amor.
Emely Eleen Sbarini Verona
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Espero.
Enfastio-me, sem desistir
Tolero chutes,
Retorno em circunferências.
Emely Eleen Sbaraini Verona
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Mais do que posso
Sinto em demasia.
Os latifundiários de minha paixão
Inúmeros produtores de desilusão
Cavam meu peito
Deliciando-se a depredar
Os resquícios de minha puberdade.
Desabrochando como um feto
Benfeitor do próprio consumo
Imatura a consagração do ofício.
Desleixada imprudência de tomar-me
E agora vens ferindo-me
Gradativamente com mais força.
Emely Eleen Sbaraini Verona
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Escombros arruínam as leves sensações
Melódicas, harmônicas e rítmicas.
Ouço os majestosos estrondos divinais
Entrelaçados às petulâncias acústicas
E triviais falácias inoportunas.
Posso ouvir seus gritos outrora
Ecos desoladores em fundos negros
Com folhas secas e corpetes góticos.
Vejo anjos rastejando suas asas
Implorando por perdão divino
E guturais vozes demoníacas
Aguçadas a depredar melancólicos
Clamores femininos.
Rasgam suas gargantas
E elevam a agudez de seus sentimentos.
Sombrios palácios vislumbram
Meus olhos em cenários animáveis.
De lástima e mera angústia,
Divina cristã de meu agrado,
Possuo a mágica concessão
De teus lábios
A dublar-te em ecos finos
E a sentir-te no sangue de mim,
Caio-me em frenesi eterno.
Emely Eleen Sbaraini Verona
Melódicas, harmônicas e rítmicas.
Ouço os majestosos estrondos divinais
Entrelaçados às petulâncias acústicas
E triviais falácias inoportunas.
Posso ouvir seus gritos outrora
Ecos desoladores em fundos negros
Com folhas secas e corpetes góticos.
Vejo anjos rastejando suas asas
Implorando por perdão divino
E guturais vozes demoníacas
Aguçadas a depredar melancólicos
Clamores femininos.
Rasgam suas gargantas
E elevam a agudez de seus sentimentos.
Sombrios palácios vislumbram
Meus olhos em cenários animáveis.
De lástima e mera angústia,
Divina cristã de meu agrado,
Possuo a mágica concessão
De teus lábios
A dublar-te em ecos finos
E a sentir-te no sangue de mim,
Caio-me em frenesi eterno.
Emely Eleen Sbaraini Verona
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Ó lágrima ruidosa
Vem a mim e completa
Minha monotonia cega.
Teu cheiro sufoca-me
És suave e carregada.
Caia fria.
Toque os harmoniosos
Calafrios de tua sinfonia.
Chuva límpida e transparente.
Arriscaria meu corpo a ti
Banhar-me-ia de teu cheiro
Pois te quero em mim,
Para assim
Minhas lágrimas
Ocultarem-se por entre
Suas deixas.
Emely Eleen Sbaraini Verona
Vem a mim e completa
Minha monotonia cega.
Teu cheiro sufoca-me
És suave e carregada.
Caia fria.
Toque os harmoniosos
Calafrios de tua sinfonia.
Chuva límpida e transparente.
Arriscaria meu corpo a ti
Banhar-me-ia de teu cheiro
Pois te quero em mim,
Para assim
Minhas lágrimas
Ocultarem-se por entre
Suas deixas.
Emely Eleen Sbaraini Verona
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Balbúrdia!
Gargalhadas, vidros, motores.
Respirações frenéticas.
Sons inesperados fizeram-me bem!
Ruídos freqüentes atormentadores!
Era uma lunática imperfeita,
E os sons inesperados agradaram-me tanto!
Pedregulhos, passos, monstros!
A meia noite a lua cantava
Tão sozinha!
E a lua, imensa lua, cantava.
Ainda me lembro...
Lembrarei ainda...
Os sons inesperados agradaram-me tanto!
Emely Eleen Sbaraini Verona
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Soneto da Desesperança
De não poder viver sua esperança
Transformou-a em estátua e deu-lhe um nicho
Secreto, onde ao sabor do seu capricho
Fugisse a vê-la como uma criança.
Tão cauteloso fez-se em seus cuidados
De não mostrá-la ao mundo, que a queria
Que por zelo demais, ficaram um dia
Irremediavelmente separados.
Mas eram tais os seus ciúmes dela
Tão grande a dor de não poder vivê-la,
Que em desespero, resolveu-se: - Mato-a!
E foi assim que triste como um bicho
Uma noite subiu até o nicho
E abriu o coração diante da estátua.
Vinicius de Moraes
De não poder viver sua esperança
Transformou-a em estátua e deu-lhe um nicho
Secreto, onde ao sabor do seu capricho
Fugisse a vê-la como uma criança.
Tão cauteloso fez-se em seus cuidados
De não mostrá-la ao mundo, que a queria
Que por zelo demais, ficaram um dia
Irremediavelmente separados.
Mas eram tais os seus ciúmes dela
Tão grande a dor de não poder vivê-la,
Que em desespero, resolveu-se: - Mato-a!
E foi assim que triste como um bicho
Uma noite subiu até o nicho
E abriu o coração diante da estátua.
Vinicius de Moraes
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Estilhaço-me dentro de mim.
Torno-me íngreme, ao sentido de minha fraqueza
O amor - ridículo da existência.
Em seqüenciais medidas de despeito
Envolve-me em devaneios sórdidos
Guardados na consciência maciça de desgosto
Nitidamente desiludida e abstrata.
Sonhava em ter o que tenho com mais força!
Desesperançosa sensação sem fim.
Diz que pode, depois me morde pelas costas.
Acanha minha alma com sofrimento e desilusão
Dissimula a olho nu mostrando-me a graça lá de fora.
Diz que não, mas está sempre se pondo, indo embora.
Desnorteio-me em fração de segundos
Sou um paradigma de metamorfose
Agindo instintivamente diversa de si mesma.
***
Queria ser uma ostra. Solitária.
Hospedar-me-ia nos mares isolados
Do teu pensamento.
Assombrar-te-ia a alma.
Fechar-me-ia de ti.
Tu procurar-me-ia
Faria como hoje, espedaçar-me-ia
Para deliciar-te de mim.
Porque tu sim, tu só sabes o que guardo.
Sabes meu gosto!
Emely Eleen Sbaraini Verona
Torno-me íngreme, ao sentido de minha fraqueza
O amor - ridículo da existência.
Em seqüenciais medidas de despeito
Envolve-me em devaneios sórdidos
Guardados na consciência maciça de desgosto
Nitidamente desiludida e abstrata.
Sonhava em ter o que tenho com mais força!
Desesperançosa sensação sem fim.
Diz que pode, depois me morde pelas costas.
Acanha minha alma com sofrimento e desilusão
Dissimula a olho nu mostrando-me a graça lá de fora.
Diz que não, mas está sempre se pondo, indo embora.
Desnorteio-me em fração de segundos
Sou um paradigma de metamorfose
Agindo instintivamente diversa de si mesma.
***
Queria ser uma ostra. Solitária.
Hospedar-me-ia nos mares isolados
Do teu pensamento.
Assombrar-te-ia a alma.
Fechar-me-ia de ti.
Tu procurar-me-ia
Faria como hoje, espedaçar-me-ia
Para deliciar-te de mim.
Porque tu sim, tu só sabes o que guardo.
Sabes meu gosto!
Emely Eleen Sbaraini Verona
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